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2/9/2010
PIB teve ritmo menor de crescimento no 2º trimestre

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará amanhã o crescimento Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre. Os especialistas consultados pelo DCI acreditam que o resultado não deve surpreender e nem deve mudar a tendência para o decorrer do ano. Para eles haverá um crescimento modesto ou até mesmo uma desaceleração, ambos causados por fatores pontuais ocorridos no período.

O analista da Tendências Consultoria, Rafael Bacciotti, projeta um avanço de 0,4% no segundo trimestre em comparação com o período imediatamente anterior, e uma expansão de 7% comparado ao mesmo período do ano passado.

Estas expectativas representam um crescimento fraco com relação à alta observada no primeiro trimestre deste ano, que foi 2,7% maior que os últimos três meses de 2009 e 9% maior do que o primeiro trimestre do ano passado. "Houve uma acomodação no segundo trimestre de 2010 com base nos indicadores da produção industrial, varejo e a divulgação do IBC-br [índice de atividade econômica do Banco Central] que levou à nossa projeção", explicou o especialista.

O IBC-br, que serve como parâmetro para as previsões dos economistas, ficou praticamente estável em junho pelo terceiro mês consecutivo, ao registrar 139,26 pontos em termos dessazonalizados, em relação a maio (alta de 0,02%).

No primeiro semestre, o índice avançou 9,96%, ligeiro recuo sobre o acumulado entre janeiro e maio (10,29%).

De acordo com Bacciotti, o fraco desempenho do PIB no segundo trimestre deve ser puxado pela indústria e por serviços, na área da oferta. "Indústria deve subir 0,1% e serviço deve ter uma variação positiva de 1,5% frente ao primeiro trimestre de 2009", diz.

Do lado da demanda, o especialista prevê que o destaque negativo ficará pela desaceleração da formação bruta de capital fixo (FBCF), por meio das quedas na produção de insumos, bens de capital e consumo aparente de bens de capital, de modo a provocar a redução dos investimentos na margem.

O conselheiro da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Roberto Vertamatti, aguarda uma desaceleração de três a quatro pontos da economia brasileira no segundo trimestre comparada aos registrado pelo IBGE nos primeiros três meses do ano.

"A Copa do Mundo e o fim da isenção do IPI, provocaram quedas nas produções e serviços, o que deve levar à desaceleração no período, a ser divulgado pelo IBGE", justifica.

Apesar de não querer apontar um número certo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, previu, na última segunda-feira, um crescimento entre 0,5% a 1% para o PIB no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses do ano. Mantega acredita que a economia brasileira "certamente" terá taxa de expansão menor do que a divulgada pelo IBGE nos primeiros três meses do ano.

Neste ano

Para 2010, Mantega espera um avanço da economia brasileira entre 6,5% e 7%, "com possibilidade de ser mais próximo dos 7%". "Se essa patamar for confirmado, será a maior taxa de crescimento dos últimos 24 anos. Só em 1986 tivemos um crescimento parecido."

Na segunda-feira passada, o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, mostrou que a expectativa do mercado é de crescimento do PIB em 7,09%.

O analista da Tendências prevê uma volta do aquecimento do PIB a partir do terceiro trimestre, quando deve registrar um avanço de 1,2% comparado ao segundo período de 2010 e de 5,9%, com relação ao mesmo trimestre do ano passado.

Na mesma base de comparação, para o quarto trimestre, Bacciotti acredita em crescimento do PIB de 0,8% e de 4,7%, respectivamente, de modo a encerrar 2010 em expansão de 6,6%. "Vamos ter um crescimento acumulado importante no ano", destaca Vertamatti, que espera avanço econômico de 6,5%.

"Mesmo assim, não é um bom crescimento, já que se for levada à média da alta do PIB entre 2009 e 2010, fica em 3,5%, que não é um valor espetacular", analisa o especialista.

Sobre 2011, o conselheiro da Anefac projeta uma alta entre 4% e 4,5%. Já o ministro da Fazenda acredita em expansão de 5,5%.







Fonte: DCI